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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A verdade: Polêmica sobre autismo de Messi é besteira, diz médico pessoal do craque

 

08/01/2014 | 10h06min

O escritor e jornalista Roberto Amado, sobrinho de Jorge Amado, deu início a uma história que tomaria grandes proporções nas semanas seguintes. Publicou em seu site, o Poucas Palavras, um longo texto dizendo que o craque argentino Lionel Messi foi diagnosticado aos oito anos de idade com Síndrome de Asperger, uma forma branda de autismo que se caracteriza, entre outros sintomas, pela grande capacidade intelectual de seus portadores.
Apesar das prováveis boas intenções, como a de mostrar que os autistas são capazes de feitos extraordinários, Amado estava errado. Quem o contradiz é Diego Schwarzstein, médico que tratou do principal e conhecido problema de saúde de Messi: uma deficiência hormonal que atrasou seu desenvolvimento.
Procurado pela reportagem do UOL Esporte, Schwarzstein, que ainda vive em Rosario e é a pessoa mais qualificada para falar sobre o assunto, não deu margem a dúvidas. "Leo nunca foi diagnosticado como Asperger ou qualquer outra forma de autismo. Isso é realmente uma bobagem", afirmou, por e-mail.
Em seu texto, Amado listou uma série de características que supostamente serviriam para provar o autismo de Messi: o modo de chutar ao gol e o uso de dribles parecidos seriam indícios de padrões repetidos, típicos dos portadores da síndrome. Sua timidez no trato com a imprensa seria outro sinal.
No mesmo artigo, ao destacar os feitos impressionantes dos quais os autistas são capazes, Amado citou o caso retratado no filme Rain Main, de 1988, com Tom Cruise e Dustin Hoffman. Na verdade, trata-se de outra síndrome, a de savant, no qual o portador tem uma grande facilidade em uma área intelectual, como realizar cálculos complexos, por exemplo, mas possui um QI baixo - algo bem diferente do Asperger.
O texto de Amado, por trazer depoimentos de pessoas ligadas a entidades de portadores de Síndrome de Asperger corroborando sua tese, foi pouco questionado e acabou se alastrando pela internet. Até o deputado federal Romário chegou a escrever a respeito em sua conta de Twitter: "Vcs sabiam q o Messi tem Síndrome de Asperger? É uma forma leve de autismo, q deu a ele o dom do foco e concentração acima de tudo e d todos." Alguns sites chegaram a noticiar que, depois do comentário de Romário, Jorge Horacio Messi, pai do craque argentino, teria ameaçado processar o ex-jogador brasileiro.
Apesar do nome diferente, a Síndrome de Asperger é uma das formas de autismo, porém mais branda. Enquanto até 70% dos autistas possuem graus diferentes de deficiência intelectual, os portadores de Asperger são caracterizados pela capacidade intelectual normal ou acima da média e por não apresentarem dificuldades de fala.
O psiquiatra Estevão Vadasz, coordenador do Programa de Transtornos do Espectro Autista do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da USP (PROTEA), uma das maiores autoridades do Brasil no assunto, explica que a área de excelência do portador da Síndrome de Asperger costuma ser matemática, física e outros campos de exatas.
"Outro fator que vai contra a ideia de que Messi é portador de Asperger é a coordenação motora", afirma Vadasz. "Na maior parte dos casos, os portadores têm baixa motricidade e não se dão bem em atividades em equipe. O Messi, ao contrário, tem um domínio motor sofisticado, e joga muito bem em equipe."
O escritor italiano Luca Caioli, autor da biografia Messi, The Inside Story of the Boy Who Become a Legend, que será lançada no final do ano no Brasil pela L&PM Editores, esteve em Rosario, na Argentina, cidade natal de Messi, para obter informações para o livro.

Conversou com a família do jogador e com o médico Diego Schwarzstein, que foi o primeiro a diagnosticar o problema hormonal que afetava o crescimento de Messi. "Ele era muito fechado em si mesmo e falava pouco, mas nunca soube de nenhum diagnóstico de Síndrome de Asperger", disse Caioli. 
Outro jornalista que prepara uma biografia de Messi, o espanhol Guillem Balague, de Barcelona, que comenta o Campeonato Espanhol para a Sky Sports e já escreveu um livro sobre Pep Guardiola, foi taxativo: "essa história é um lixo."
Atletas autistas
Existem pelo menos dois casos notórios de autistas que superaram os limites impostos pela síndrome. Em 2006, aos 18 anos, o americano Jason McElwain protagonizou uma história incrível. Diagnosticado com autismo logo nos primeiros anos de vida, sempre foi um apaixonado por basquete. Por isso o técnico do time da escola de McElwain, Jim Johnson, deixava que ele ficasse no banco de reservas acompanhando as partidas.
No dia 15 de fevereiro de 2006, na última partida da temporada, o técnico deu o uniforme do time a McElwain e o avisou de que se, no final da partida o time estivesse liderando o placar com folga, ele poderia entrar. Faltando quatro minutos para o fim da partida e com um diferença de dois dígitos, Jason entrou em quadra. O começo indicava uma situação constrangedora. A bola foi passada pra ele. O arremesso sai errado. Novo arremesso, novo erro.
O que se viu a partir daí, no entanto, foi épico. McElwain acertou nada menos que seis arremessos de três pontos e mais um de dois pontos, totalizando 20 pontos em pouco menos de quatro minutos. A cada cesta convertida, a torcida explodia no ginásio da escola. O time de McElwain venceu por 79 a 43. O show de Jason foi eternizado ao receber o prêmio ESPY de melhor momento do esporte em 2006, dado pela TV por assinatura americana ESPN, batendo os 81 pontos marcados por Kobe Bryant em uma só partida aquele ano.
Além de dar palestras sobre o autismo, McElwayn escreveu um livro que conta a experiência vivida naquele dia. Os direitos foram comprados por um estúdio de Hollywood e um filme deve ser produzido em breve.
Outro exemplo de superação é o do surfista americano Clay Marzo, de 24 anos. Apesar de surfar desde pequeno e de ganhar prêmios aos dez anos de idade e assinar seu primeiro contrato aos 11, ele só foi diagnosticado com Asperger aos 18 anos. Até então, algumas atitudes suas não eram bem vistas no circuito profissional, como a falta de traquejo social com patrocinadores, fãs e colegas de surfe, além de nem sempre seguir corretamente as regras das competições.
Em 2008, o documentário Clay Marzo: Just Add Water (Clay Marzo: Basta Adicionar Água) retratou a dualidade entre o surfe e a síndrome de Asperger na vida de Marzo. Atualmente, ele é voluntário em uma organização que apresenta o surfe para crianças com autismo.
Jones Rossi  Uol.com

 http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2013/09/26/polemica-sobre-autismo-de-messi-e-besteira-diz-medico-pessoal-do-craque.htm



Lei de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista







Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3o do art. 98 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o  Esta Lei institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e estabelece diretrizes para sua consecução.
§ 1o  Para os efeitos desta Lei, é considerada pessoa com transtorno do espectro autista aquela portadora de síndrome clínica caracterizada na forma dos seguintes incisos I ou II:
I – deficiência persistente e clinicamente significativa da comunicação e da interação sociais, manifestada por deficiência marcada de comunicação verbal e não verbal usada para interação social; ausência de reciprocidade social; falência em desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível de desenvolvimento;
II – padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, manifestados por comportamentos motores ou verbais estereotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns; excessiva aderência a rotinas e padrões de comportamento ritualizados; interesses restritos e fixos.
§ 2o  A pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais.
Art. 2o  São diretrizes da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista:
I – a intersetorialidade no desenvolvimento das ações e das políticas e no atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista;
II – a participação da comunidade na formulação de políticas públicas voltadas para as pessoas com transtorno do espectro autista e o controle social da sua implantação, acompanhamento e avaliação;
III – a atenção integral às necessidades de saúde da pessoa com transtorno do espectro autista, objetivando o diagnóstico precoce, o atendimento multiprofissional e o acesso a medicamentos e nutrientes;
IV – (VETADO);
V – o estímulo à inserção da pessoa com transtorno do espectro autista no mercado de trabalho, observadas as peculiaridades da deficiência e as disposições da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente);
VI – a responsabilidade do poder público quanto à informação pública relativa ao transtorno e suas implicações;
VII – o incentivo à formação e à capacitação de profissionais especializados no atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista, bem como a pais e responsáveis;
VIII – o estímulo à pesquisa científica, com prioridade para estudos epidemiológicos tendentes a dimensionar a magnitude e as características do problema relativo ao transtorno do espectro autista no País.
Parágrafo único.  Para cumprimento das diretrizes de que trata este artigo, o poder público poderá firmar contrato de direito público ou convênio com pessoas jurídicas de direito privado.
Art. 3o  São direitos da pessoa com transtorno do espectro autista:
I – a vida digna, a integridade física e moral, o livre desenvolvimento da personalidade, a segurança e o lazer;
II – a proteção contra qualquer forma de abuso e exploração;
III – o acesso a ações e serviços de saúde, com vistas à atenção integral às suas necessidades de saúde, incluindo:
a) o diagnóstico precoce, ainda que não definitivo;
b) o atendimento multiprofissional;
c) a nutrição adequada e a terapia nutricional;
d) os medicamentos;
e) informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento;
IV – o acesso:
a) à educação e ao ensino profissionalizante;
b) à moradia, inclusive à residência protegida;
c) ao mercado de trabalho;
d) à previdência social e à assistência social.
Parágrafo único.  Em casos de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular, nos termos do inciso IV do art. 2o, terá direito a acompanhante especializado.
Art. 4o  A pessoa com transtorno do espectro autista não será submetida a tratamento desumano ou degradante, não será privada de sua liberdade ou do convívio familiar nem sofrerá discriminação por motivo da deficiência.
Parágrafo único.  Nos casos de necessidade de internação médica em unidades especializadas, observar-se-á o que dispõe o art. 4o da Lei no 10.216, de 6 de abril de 2001. 
Art. 5o  A pessoa com transtorno do espectro autista não será impedida de participar de planos privados de assistência à saúde em razão de sua condição de pessoa com deficiência, conforme dispõe o art. 14 da Lei no 9.656, de 3 de junho de 1998. 
Art. 6o  (VETADO).
Art. 7o  O gestor escolar, ou autoridade competente, que recusar a matrícula de aluno com transtorno do espectro autista, ou qualquer outro tipo de deficiência, será punido com multa de 3 (três) a 20 (vinte) salários-mínimos.
§ 1o  Em caso de reincidência, apurada por processo administrativo, assegurado o contraditório e a ampla defesa, haverá a perda do cargo.
§ 2o  (VETADO).
Art. 8o  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília,  27  de dezembro de 2012; 191o da Independência e 124o da República.
DILMA ROUSSEFF
José Henrique Paim Fernandes
Miriam Belchior
Este texto não substitui o publicado no DOU de 28.12.2012

http://canalconselhotutelar.wordpress.com/2012/12/28/lei-de-protecao-dos-direitos-da-pessoa-com-transtorno-do-espectro-autista/